Via Aérea · Mnemônico para fatores de risco de ventilação difícil
Referência rápida dos fatores associados à ventilação sob máscara difícil. Não é um escore — use para consulta.
Mallampati III ou IV
Mandíbula
Obeso
Radiação / Ronco / Apneia obstrutiva do sono.
Barba
Idade > 55
Dentes ausentes
O MÓRBIDO é um recurso de memória, em português, para lembrar à beira-leito os fatores associados à ventilação sob máscara difícil — a situação em que a ventilação com máscara facial e balão não produz troca gasosa adequada após a indução anestésica. Não é um escore com pontuação: reúne, em uma única palavra, os preditores clínicos que devem ser procurados na avaliação pré-anestésica para antecipar a dificuldade e preparar o plano de resgate.
Cada letra recupera um preditor já descrito na literatura, e a maioria atua comprometendo a vedação da máscara ou a permeabilidade da via aérea superior. A barba impede o selo da máscara; a ausência de dentes faz as bochechas colabarem e dificulta o apoio; obesidade e ronco/apneia obstrutiva do sono refletem tecido faríngeo redundante e maior colapsabilidade; Mallampati III ou IV e a limitação da protrusão mandibular sinalizam pouco espaço orofaríngeo; idade > 55 anos e sexo masculino elevam o risco de forma independente. As alterações cutâneas por radiação cervical são o achado mais fortemente associado à ventilação impossível.
Diferente de um escore, o mnemônico não gera número nem ponto de corte: a leitura é qualitativa. Quanto mais fatores presentes — sobretudo em combinação —, maior a probabilidade de dificuldade, e mais se justifica preparar técnica com duas mãos, cânula orofaríngea ou nasofaríngea, dispositivo supraglótico à mão e evitar apneia prolongada. Quando o objetivo é uma estimativa quantitativa do mesmo desfecho, o escore DIFFMASK, também disponível neste site, pondera esses achados em pontos. A radiação cervical, o sexo masculino, a apneia do sono, o Mallampati III/IV e a barba são os fatores mais ligados à ventilação impossível.
Use na avaliação pré-anestésica e imediatamente antes da indução, ao lado dos preditores de intubação difícil (Mallampati, distância tireomentoniana, abertura bucal). É um auxílio de memória, não uma ferramenta validada isoladamente: a presença dos fatores não confirma a dificuldade, nem a ausência deles a exclui. Os preditores têm especificidade limitada e a decisão final é clínica. Diante de dificuldade prevista ou inesperada, siga o algoritmo de via aérea difícil do seu serviço.
Referência: Langeron O et al. Prediction of difficult mask ventilation. Anesthesiology. 2000;92(5):1229-1236. · Kheterpal S et al. Prediction and outcomes of impossible mask ventilation. Anesthesiology. 2009;110(4):891-897.