Risco pré-operatório · Complicações respiratórias
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Risco: baixo (<26) — 1,6%
Estima o risco do desfecho composto: infecção respiratória, insuficiência respiratória, derrame pleural, atelectasia, pneumotórax, broncoespasmo ou pneumonia por aspiração.
Referência: Canet J, Gallart L, Gomar C, et al. Prediction of postoperative pulmonary complications in a population-based surgical cohort. Anesthesiology. 2010;113:1338-1350.
O ARISCAT (Assess Respiratory Risk in Surgical Patients in Catalonia) é um escore que estima o risco de complicações pulmonares pós-operatórias em cirurgia sob anestesia geral, regional ou local. Foi derivado e validado em uma coorte cirúrgica de base populacional na Catalunha por Canet e colaboradores, reunindo sete preditores pré-operatórios e cirúrgicos em uma pontuação única para orientar a avaliação pré-anestésica.
Diferente de índices em que cada fator vale um ponto, o ARISCAT é um escore ponderado: cada variável contribui com um peso próprio e a soma total define a faixa de risco. Pontuam a idade (3 pontos entre 51 e 80 anos; 16 pontos acima de 80), a saturação pré-operatória de oxigênio (8 pontos na faixa de 91–95% e 24 pontos quando ≤90%), a infecção respiratória no mês anterior (17 pontos), a anemia pré-operatória com hemoglobina <100 g/L (11 pontos), o local da incisão (15 pontos se abdominal superior; 24 pontos se intratorácica), a duração da cirurgia (16 pontos de 2 a 3 horas; 23 pontos acima de 3 horas) e a cirurgia de emergência (8 pontos). Os itens de maior peso — incisão intratorácica e a saturação mais baixa, ambos com 24 pontos — sinalizam sozinhos risco relevante.
A pontuação total distribui o paciente em três faixas, com incidência crescente de complicações pulmonares no pós-operatório:
| Pontuação | Risco — incidência |
|---|---|
| <26 | baixo — 1,6% |
| 26–44 | intermediário — 13,3% |
| ≥45 | alto — ≥ 42,1% |
A partir de 26 pontos o risco passa de baixo a intermediário e, a partir de 45 pontos, torna-se alto, com incidência que ultrapassa 40%. O salto entre as faixas é acentuado, o que ajuda a identificar quem se beneficia de estratégias protetoras — ventilação protetora, analgesia otimizada, mobilização precoce, fisioterapia respiratória — e de vigilância pós-operatória mais próxima.
Use o ARISCAT na avaliação pré-anestésica para estratificar o risco pulmonar e calibrar a intensidade das medidas preventivas e o nível de cuidado no pós-operatório. O escore foi construído em população cirúrgica geral não cardíaca e não substitui o julgamento clínico nem a avaliação individualizada: comorbidades pulmonares específicas, estado funcional e fatores intraoperatórios não capturados podem modificar o risco. Reavalie sempre à luz do contexto do paciente e da cirurgia.
Referência: Canet J, Gallart L, Gomar C, et al. Prediction of postoperative pulmonary complications in a population-based surgical cohort. Anesthesiology. 2010;113(6):1338-1350. · Validação externa: Mazo V, Sabaté S, Canet J, et al. Anesthesiology. 2014;121(2):219-231 (estudo PERISCOPE).