Calculadora POCUS · Anest-Review
IC = (Dmax − Dmin) / Dmax × 100%.
dIVC = (Dmax − Dmin) / Dmin × 100%.
A avaliação da veia cava inferior (VCI) à beira-leito é um dos pilares do POCUS hemodinâmico. A partir do diâmetro da VCI e de sua variação com o ciclo respiratório, estima-se de forma não invasiva a pressão venosa central (PVC) — que reflete a pressão de átrio direito e funciona como marcador indireto das pressões de enchimento do coração direito e do estado de volemia. A janela padrão é a subcostal, com a VCI vista no eixo longitudinal desembocando no átrio direito, poucos centímetros distal à confluência das veias hepáticas.
Mede-se o maior e o menor diâmetro da VCI ao longo do ciclo respiratório, de preferência em modo M para capturar bem as variações. A calculadora trabalha com dois índices que diferem apenas no denominador, conforme o modo ventilatório.
No paciente em ventilação espontânea usa-se o índice de colapsibilidade, IC = (Dmax − Dmin) / Dmax × 100%, em que Dmax é o diâmetro expiratório e Dmin o menor diâmetro alcançado na inspiração ou com a manobra de sniff. No paciente em ventilação mecânica usa-se o índice de distensibilidade, dIVC = (Dmax − Dmin) / Dmin × 100%, já que a insuflação com pressão positiva distende a veia em vez de colapsá-la — aqui o maior diâmetro ocorre na inspiração.
Na ventilação espontânea, o diâmetro máximo é combinado com o grau de colapso para estimar a PVC, seguindo os pontos de corte da diretriz da ASE: diâmetro de 2,1 cm e colapso de 50%.
| Classificação | PVC estimada |
|---|---|
| Normal — ≤ 2,1 cm e colapso > 50% | 3 mmHg (0–5) |
| Intermediária — apenas um dos critérios | 8 mmHg (5–10) |
| Alta — > 2,1 cm e colapso < 50% | 15 mmHg (10–20) |
Uma VCI pletórica e pouco variável aponta pressões de enchimento elevadas (congestão, disfunção de ventrículo direito, tamponamento), enquanto uma VCI fina e muito colapsável sugere PVC baixa e, no contexto clínico adequado, hipovolemia. Na ventilação mecânica, o índice de distensibilidade é usado para avaliar responsividade a volume: quanto maior a variação respiratória do diâmetro, maior a probabilidade de o paciente responder à reposição. Em ambos os cenários o número deve ser lido junto do quadro, e não isoladamente.
A VCI ajuda na triagem de choque e dispneia, na decisão de infundir ou restringir volume e no seguimento da resposta à reposição — sendo mais informativo acompanhar a tendência de medidas seriadas do que um valor único. A estimativa perde acurácia em várias situações: PEEP elevada, esforço inspiratório vigoroso, aumento da pressão intra-abdominal, doença valvar tricúspide, hipertensão pulmonar e disfunção de ventrículo direito, além do atleta jovem, que pode ter VCI dilatada e pouco colapsável de forma fisiológica. A correlação entre diâmetro/colapso da VCI e a volemia real é apenas moderada; trate o dado como uma peça do raciocínio hemodinâmico, integrado ao exame físico e aos demais parâmetros.
Referência: Rudski LG, Lai WW, Afilalo J, et al. Guidelines for the echocardiographic assessment of the right heart in adults. J Am Soc Echocardiogr. 2010;23(7):685-713. · Barbier C, Loubières Y, Schmit C, et al. Respiratory changes in inferior vena cava diameter are helpful in predicting fluid responsiveness in ventilated septic patients. Intensive Care Med. 2004;30(9):1740-1746.