Fração de espessamento e excursão diafragmática · Referência NIH
janela da zona de aposição
Janela subcostal ou intercostal baixa
A ultrassonografia do diafragma à beira-leito avalia o principal músculo respiratório por dois parâmetros complementares: a fração de espessamento (TFdi), que reflete a contração ativa do músculo durante a inspiração, e a excursão diafragmática (DE), que mede o deslocamento da cúpula ao longo do ciclo respiratório. É usada sobretudo na suspeita de disfunção ou paralisia diafragmática — por lesão do nervo frênico após cirurgia cardíaca, torácica ou cervical — e na avaliação do paciente em desmame da ventilação mecânica.
A TFdi é obtida na zona de aposição, com transdutor linear de alta frequência no espaço intercostal baixo na linha axilar, medindo a espessura do diafragma em milímetros no final da inspiração e no final da expiração. Ela é a variação percentual entre as duas fases: TFdi = (espessura final insp. − espessura final exp.) ÷ espessura final exp. × 100. A excursão é medida em janela subcostal ou intercostal baixa, tipicamente em modo M, e corresponde à diferença entre a distância máxima na inspiração e a distância mínima na expiração, em centímetros: DE = distância máxima insp. − distância mínima exp.
| TFdi | Interpretação |
|---|---|
| ≥ 30% | Função preservada |
| 21–29% | Fraqueza diafragmática |
| ≤ 20% | Paralisia / disfunção grave |
O limiar de TFdi ≥ 30% é o mesmo associado a maior probabilidade de extubação bem-sucedida na literatura de desmame; a calculadora reserva a cor normal para esse valor, sinaliza como alerta a faixa de fraqueza e destaca como anormal os valores mais baixos. Para a excursão, a calculadora considera normal uma DE de pelo menos 1 cm. Reduções abaixo de cerca de 1,1 cm na respiração tranquila ou de 2,5 cm no esforço inspiratório máximo sugerem disfunção; na paralisia unilateral é comum observar movimento paradoxal, com a cúpula subindo na inspiração em vez de descer.
Os dois parâmetros são úteis para investigar dispneia ou hipoxemia inexplicadas, confirmar suspeita de paralisia frênica no pós-operatório e complementar índices tradicionais de desmame, como o RSBI. Valores baixos de TFdi ou de excursão associam-se a falha de extubação e ventilação prolongada, mas nenhum deles isoladamente decide a conduta. A técnica é operador-dependente e sensível ao esforço do paciente e ao volume corrente; o hemidiafragma esquerdo costuma ter janela mais difícil, e os valores absolutos variam com sexo e biotipo. A avaliação deve ser integrada ao quadro clínico e não substitui o julgamento à beira-leito.
Referência: Matamis D, Soilemezi E, Tsagourias M, et al. Sonographic evaluation of the diaphragm in critically ill patients. Technique and clinical applications. Intensive Care Med. 2013;39(5):801-810. · DiNino E, Gartman EJ, Sethi JM, McCool FD. Diaphragm ultrasound as a predictor of successful extubation from mechanical ventilation. Thorax. 2014;69(5):423-427.