Fluidos, choque e hemorragia · Manutenção hídrica (pediátrico)
4 mL/kg/h para os primeiros 10 kg · 2 mL/kg/h dos 11 aos 20 kg · 1 mL/kg/h para cada kg acima de 20 kg.
4 mL/kg/h para os primeiros 10 kg de peso.
2 mL/kg/h para os próximos 10 kg (de 11 a 20 kg).
1 mL/kg/h para cada quilo adicional acima de 20 kg.
A regra de Holliday-Segar é usada para estimar as necessidades basais de líquidos de manutenção em pediatria (evolução insensível de água e eletrólitos). Não substitui a avaliação clínica e o ajuste conforme perdas adicionais, estado volêmico e função renal.
A regra 4-2-1 de Holliday-Segar estima a taxa de líquido de manutenção — o volume que repõe as perdas basais (urina, perdas insensíveis e fezes) em um paciente que não está em jejum prolongado, hipovolêmico ou perdendo fluido de forma anormal. Descrita para a pediatria, é aplicada como ponto de partida para prescrever a velocidade da hidratação venosa e é a referência ensinada em anestesia e em terapia intensiva pediátrica.
A calculadora soma três faixas de peso e devolve a taxa horária: 4 mL/kg/h para os primeiros 10 kg, 2 mL/kg/h dos 11 aos 20 kg e 1 mL/kg/h para cada quilo acima de 20 kg. O volume diário é simplesmente essa taxa multiplicada por 24 horas. A escala escalonada não é arbitrária: Holliday e Segar vincularam a necessidade de água ao gasto energético (cerca de 100 mL de água por 100 kcal metabolizadas), que cai proporcionalmente à medida que a massa corporal aumenta — daí a taxa por quilo diminuir nas faixas superiores.
O resultado é a velocidade de infusão de manutenção. Como a fórmula é contínua, cada faixa apenas acrescenta sobre a anterior; alguns exemplos ajudam a fixar a magnitude:
| Peso | Manutenção (mL/h) |
|---|---|
| 10 kg | 40 mL/h |
| 15 kg | 50 mL/h |
| 20 kg | 60 mL/h |
| 30 kg | 70 mL/h |
| 70 kg | 110 mL/h |
Note que a taxa cresce devagar acima de 20 kg: um adulto de 70 kg chega a apenas 110 mL/h (cerca de 2,6 L/dia), coerente com a manutenção basal. A regra fornece volume, não a composição do fluido — a escolha da solução, do potássio e da glicose depende de eletrólitos, glicemia e do contexto clínico.
A estimativa cobre apenas as perdas basais: não inclui déficits prévios, reposição de perdas contínuas (febre, drenos, diarreia, terceiro espaço) nem a reanimação volêmica no choque, que seguem lógica própria. Em crianças hospitalizadas e no perioperatório há liberação não osmótica de ADH, e fluidos hipotônicos nesse cenário associam-se a hiponatremia; por isso as diretrizes atuais recomendam soluções isotônicas para a manutenção venosa. A regra é um ponto de partida, não uma prescrição: confira sempre o protocolo do seu serviço e reavalie o balanço, o peso e os eletrólitos ao longo da internação.
Referência: Holliday MA, Segar WE. The maintenance need for water in parenteral fluid therapy. Pediatrics. 1957;19(5):823-832. · Diretriz AAP (Feld LG et al.), Maintenance Intravenous Fluids in Children. Pediatrics 2018;142(6):e20183083.