Checklist de conduta · Anest-Review
Escala clínica de gravidade das reações de hipersensibilidade imediata (inclui anafilaxia).
| Classe | Manifestações clínicas |
|---|---|
| I | Sinais cutâneos generalizados: eritema, urticária com ou sem angioedema. |
| II | Envolvimento multiorgânico moderado: sinais cutâneos, hipotensão, taquicardia, hiperreatividade brônquica (tosse, comprometimento ventilatório). |
| III | Envolvimento multiorgânico grave, com risco de vida, exigindo tratamento específico: colapso, taquicardia ou bradicardia, arritmias cardíacas, broncoespasmo. Os sinais cutâneos podem estar ausentes ou aparecer apenas após recuperação da pressão arterial. |
| IV | Parada circulatória ou respiratória. |
| V | Óbito por ausência de resposta à reanimação cardiorrespiratória. |
Kroigaard M, Garvey L, Gillberg L, et al. Scandinavian clinical practice guidelines on the diagnosis, management and follow-up of anaphylaxis during anaesthesia. Acta Anaesthesiol Scand. 2007 Jul;51(6):655-670.
Para sintomas residuais após resposta adequada à adrenalina.
Fonte (condutas): UpToDate – Anaphylaxis: Emergency treatment.
Após um episódio de possível anafilaxia, sobretudo com sinais ou sintomas de hipotensão, a coleta deve ser feita entre 30 minutos e 6 horas após o início dos sinais/sintomas, idealmente entre 30 min e 2 h.
Para nível basal, pode-se usar sangue coletado antes do evento (ex.: soro ou plasma refrigerado ou congelado de outro exame) ou coletar amostra pelo menos 24 h após resolução de todos os sinais e sintomas.
Coleta por técnica padrão. Usar tubo para soro (tampa vermelha) ou plasma (heparina, citrato ou EDTA). Mínimo de 1 mL recomendado.
Em amostras post mortem, coletar da artéria ou veia femoral, não do coração.
Soro ou plasma em gelo e congelar o mais rápido possível. Enviar congelado por transporte rápido se a dosagem não for feita no local. Se possível, amostra aguda e basal no mesmo ensaio para evitar variação entre ensaios; se amostras pareadas não estiverem disponíveis, pode-se usar amostra basal de outro momento.
EDTA: ácido etilenodiamino tetraacético.
A anafilaxia perioperatória é uma reação de hipersensibilidade imediata, potencialmente fatal, desencadeada durante a anestesia — os agentes mais implicados são bloqueadores neuromusculares, antibióticos e látex. Como os sinais cutâneos costumam estar ocultos pelos campos cirúrgicos, hipotensão súbita, broncoespasmo ou colapso são, muitas vezes, a primeira pista. Esta página reúne a classificação de gravidade, o checklist de conduta e uma calculadora do volume de adrenalina a partir do peso, terapia de primeira linha e sem contraindicação absoluta nesse contexto.
A calculadora aplica a dose de adrenalina intramuscular de 0,01 mg/kg, limitada a 0,5 mg por dose. Como a apresentação usada é a solução 1 mg/mL, o volume em mililitros coincide com a dose em miligramas, e o resultado já sai em mL prontos para aspirar. O teto de 0,5 mg (0,5 mL) é atingido a partir de 50 kg, de modo que a maioria dos adultos recebe a dose máxima. A dose pode ser repetida a cada 5 minutos, até 3 doses; se a resposta for inadequada, passa-se à infusão IV contínua, titulada conforme o efeito.
A escala de gravidade vai de sinais apenas cutâneos (classe I) até o óbito (classe V). Reações restritas a eritema ou urticária (classe I) em geral não exigem adrenalina; a partir da classe II — hipotensão, taquicardia e hiperreatividade brônquica — e nas classes III–IV (colapso, arritmias, parada), a adrenalina está indicada e deve preceder qualquer outra medida. A tabela abaixo resume as etapas de dosagem que a página utiliza.
| Etapa | Adrenalina |
|---|---|
| IM inicial | 0,01 mg/kg (máx. 0,5 mg) |
| Repetição IM | a cada 5 min, até 3 doses |
| Infusão IV (refratário) | 0,1–1 µg/kg/min |
O checklist aplica-se ao reconhecimento e manejo imediatos da anafilaxia durante a anestesia. A calculadora assume a apresentação 1 mg/mL; ampolas de outra concentração exigem recálculo do volume, e os valores são referência para adultos, não substituindo o ajuste por peso e idade nem o julgamento clínico. A dosagem de triptase (entre 30 min e 6 h após o início, idealmente 30 min–2 h, com amostra basal ≥24 h após resolução) confirma o diagnóstico retrospectivamente, mas não deve atrasar o tratamento. Confira sempre o protocolo do seu serviço.
Referência: Cardona V, Ansotegui IJ, Ebisawa M, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472. · Kroigaard M et al. Diretriz escandinava de anafilaxia em anestesia. Acta Anaesthesiol Scand. 2007;51(6):655-670.